Se eu ao menos tivesse a arte

Se eu ao menos tivesse a arte,
Se tivesse o medo e a coragem,
De perseguir o espirito selvagem
Que me assombra em toda a parte.

Só queria ter a arte,
O engenho, a palavra.
Para expor o que me lavra
A mente que me parte.

Queria ter a esperteza
De procurar a clareza
Do escuro do fim.

Mas como seria se tivesse
E aqui escrevesse,
O que vai em mim?

O jovem rapaz

Foi uma vez
Há não muito tempo atrás
Que um jovem rapaz
Decidiu contar até três.
Só então se lembrou
Quando ía a meio do desafio
Que até tanto não sabia contar.
O tempo passou,
Ele sempre no mesmo correrio,
Sempre a tentar.
Desesperado por só saber contar até dois
Resolveu vender a alma ao diabo e sofrer depois.
E assim foi.
A sua alma foi vendida
E o diabo ficou contente:
Tinha mais uma alminha perdida
P'ra juntar à sua gente.
O rapaz contou até onde queria
Mas agora preocupado estava
Porque mais um ano
E a sua vida terminava.
Foi esse o prazo acordado,
Um ano e nem mais um dia.
E o que o rapazinho fez?
Contou até onde podia,
Contou até três.